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Carlos Mendonça

ENTRE A IGNORÂNCIA DOS IANQUES E A INTELIGÊNCIA DOS ITABAIANENSES

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19/05/2026 às 15h07

Se perguntarmos quando foi que por conta de medidas impostas pelo norte dos Estados Unidos (Ianques), fez o município de Itabaiana se tornar um dos maiores exportadores de um dos produtos mais vendidos pelo sul dos americanos (Confederados); talvez alguém responda, se for pesquisar. Porque, saber mesmo se isso aconteceu e, quando, aguardaremos.

A guerra civil entre os Ianques e os Confederados, norte contra o sul dos Estados Unidos, de 1861 a 1865, travou sua economia, principalmente do sul, maior exportador de algodão para a Europa. Com o bloqueio naval imposto aos Estados do Sul pelos Estados do Norte, fez com que os maiores importadores europeus, Inglaterra e França, buscassem fornecedores em outros mercados e, o Nordeste do Brasil foi um deles, inclusive os sertões da província de Sergipe. Neste sentido, as Matas de Itabaiana, o que atualmente compreende ao município de Frei Paulo e todos os demais municípios vizinhos, além do Norte e Oeste da Itabaiana atual, assim como boa parte do sertão da Bahia, que outrora, pertencente à Itabaiana, havia sido infinitos campos de gado, tornou-se em campos infindáveis de algodão, o ouro branco do sertão.

O ciclo do algodão foi o ápice do desenvolvimento econômico em Sergipe a partir das Matas de Itabaiana, entre o final do século XIX e início do século XX, onde em cada dez produtores de algodão, quatro tinham suas próprias máquinas de beneficiar o produto a ser exportado para Europa. De tanto os moradores das Matas de Itabaiana plantar, colher e vender algodão para o exterior, a região cresceu, enriqueceu e se desenvolveu de tal maneira, que trinta anos depois, a sede dessa localidade emancipou-se sob o nome de Chã do Jenipapo, hoje município de Frei Paulo, levando consigo, o que atualmente compreende aos municípios de Carira, Pinhão e Pedra Mole.

Sobre esse assunto, consultei o Google, já que é tido como muito bem informado, fazendo-lhe a seguinte pergunta. Qual a relação entre a guerra civil americana e o ciclo do algodão em Itabaiana-SE? Resposta (O ciclo do algodão em Itabaiana-SE no século XIX foi de causa e efeito econômico direto, provocando um intenso surto de desenvolvimento agrícola e mudanças sociais na região. A indústria têxtil europeia, em decorrência da crise americana por conta da sua guerra civil, buscou alternativas, impulsionado a produção no Nordeste brasileiro. Itabaiana, aproveitando a alta nos preços, expandiu massivamente o plantio de algodão, a exemplo das localidades Flechas, Caraíbas, Saco do Ribeiro e Chã do Jenipapo, cuja mão de obra gerou a figura do ?pataqueiro? (boia-fria). A prosperidade econômica de áreas algodoeiras foi tão grande que levou ao desmembramento territorial, resultando na criação de novos municípios, como a Vila de Frei Paulo em 1890. Foi nesse contexto de euforia algodoeira que surgiram as primeiras casas comerciais e a feira regular aos sábados em Itabaiana, a partir de 1862. Em resumo, a Guerra Civil Americana criou um vácuo no mercado internacional que foi preenchido pelo algodão de Itabaiana, transformando a economia local de subsistência em uma economia de exportação, gerando riqueza, desmatamento e reorganização territorial).

Mas, diferente do que dizem, o Google não sabe tudo, pois quando perguntei o nome de alguns itabaianenses produtores de algodão que tinham suas próprias máquinas de beneficiar o produto, neste período, não soube responder. Considerando que suas respostas se baseiam em informações amplamente divulgadas, muitas delas sem qualquer critério historiográfico, até entendo. Com relação aos nomes de alguns itabaianenses produtores de algodão que tinham suas próprias máquinas de beneficiar o produto neste período, eram: José Joaquim de Andrade, Manoel Vieira Neto, Domingos Pereira de Andrade, Francisco Catarino da Fonseca, Gonçalo Pinto de Mendonça, Emiliano José Ribeiro, Nicolau de Almeida Junior, Paulo Manoel dos Santos, Fulgêncio de Souza Monteiro e Zeferino José de Mendonça.

Pelas informações a respeito da ignorância dos Ianques e a inteligência dos Itabaianenses no período acima citado, nada mudou. Enquanto os itabaianenses empreendem e prosperam pela força do trabalho, os ianques continuam fazendo guerra e impondo restrições econômicas. Aliás, guerras, ameaças, sanções e embargos, é só o que sabem fazer os Ianques, até quando não forem definitivamente embargados pela lei de causa e efeito. Que pelo andar da carruagem, é de uma hora para outra.

Portanto, meus queridos amigos. Existe um infindável acervo de informações inimagináveis a serem desvendadas sobre nossa Itabaiana e o mundo em geral, que, sequer, consta na literatura oficial, cabendo-nos, portanto, historiar os fatos e informar com precisão, a verdade dos acontecimentos. Até a próxima.

materialpro-img Maria Edisângela Almeida Santos
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